Comissões para agentes sobem 90% e passam de R$ 7,5 bilhões em 2025

O advogado especialista em direito esportivo Cristiano Ca-ús, sócio do CCLA Advogados, acrescenta que "em um mercado de futebol cada vez mais globa-lizado, com...
O advogado especialista em direito esportivo Cristiano Ca-ús, sócio do CCLA Advogados, acrescenta que "em um mercado de futebol cada vez mais globa-lizado, com regras distintas e interesses múltiplos, os agentes se tornaram peças-chave na engrenagem do futebol internacional".

Reportagem e texto de FOLHA DE SÃO PAULO.

Comissões para agentes sobem 90% e passam de R$ 7,5 bilhões em 2025
Inglaterra lidera gastos, e repasses recordes se concentram em poucas negociações, diz Fifa; relatório aponta alta no futebol feminino, ainda que distante do masculino

SÃO PAULO O pagamento de comissões a empresários de jogadores somou US$ 1,37 bilhão

(R$ 7,5 bilhões) em 2025, recorde no mercado do futebol. Segundo relatório da Fifa (Federação Internacional de Futebol), o valor representa alta de 90% em relação ao ano anterior.

Em 2024, os representantes de atletas haviam recebido cerca de US$ 890 milhões (R$ 4,9 bilhões).

O avanço registrado em 2025 foi impulsionado principalmente pelas transferências realizadas por clubes da Premier League, a liga mais rica da Europa.

Os clubes filiados à Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) concentram a maior fatia dos gastos globais com agentes, puxados sobretudo pela Ingla-terra. Juntos, os clubes ingleses desembolsaram mais de US$ 375 milhões (R$ 2,07 bilhões) em co-missões, com ampla vantagem sobre os demais mercados euro-peus. A Alemanha aparece na sequência, com gastos de US$ 165 milhões (R$ 911 milhões).

O Brasil não figura entre os pai-ses que mais gastaram com agen-tes. Empresários brasileiros, po-rém, aparecem entre os cinco que mais receberam comissões no futebol masculino, com cerca de US$ 97,2 milhões (R$ 536 milhões), atrás apenas de britânicos, franceses, italianos e espanhóis.

O relatório indica que esse cenário reflete o papel do país como exportador de talentos e de agentes influentes.

Ainda de acordo com a Fifa, em 2025, agentes de clubes participaram de 3.010 transferências internacionais, número recorde e 38,1% superior ao de 2024.

Já as negociações com empresários atuando em nome dos jogadores totalizaram 3.730 transferências, 15,3% de todas as operações realizadas ao longo do ano.

Embora quase 90% das comissões individuais tenham sido inferiores a US$ 1 milhão (R$ 5,5 milhões) por transação, apenas 348 operações, menos de 11% do total, concentraram 68,4% de todo o valor pago pelos clubes em taxas de serviço em transferências internacionais.

“Os atletas vem recebendo mais dinheiro a cada ano, e quem trabalha por eles, comissionado por esses ganhos, naturalmente vai receber mais também”, defendeu Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa que gerencia a carreira de centenas de atletas.

O advogado especialista em direito esportivo Cristiano Caús, sócio do CCLA Advogados, acrescenta que “em um mercado de futebol cada vez mais globa-lizado, com regras distintas e interesses múltiplos, os agentes se tornaram peças-chave na engrenagem do futebol internacional”.

O estudo também aponta para o avanço das comissões no futebol profissional feminino.

Em 2025, os gastos dos clubes com serviços de agentes superaram US$ 6,2 milhões (R$ 34,2 milhões). O valor é mais de 13 vezes maior do que o registrado em 2020 e mais que o dobro do total de 2024, quando somou US$ 3,1 milhões (R$ 17,1 milhões).

Apesar do crescimento, os ganhos dos agentes no futebol feminino seguem abaixo dos observados no masculino. Em 2025, OS clubes gastaram pouco mais de US$ 6,2 milhões em comissões no feminino, contra US$ 1,37 bilhão no masculino.

“Os números confirmam a crescente relevância dos agentes de futebol no futebol profissional”, disse Patricio Varela, chefe do departamento de agentes da Fifa.

“Esperamos que essa tendência continue no próximo ano, o que reforça a importância de termos um Regulamento de Agentes de Futebol da Fifa abrangente e aplicável para apoiar essa evolução.”

Clubes batem recorde e gastam US$ 1,37 bi com agentes

Os gastos dos clubes com agentes atingiram um patamar histórico em 2025. De acordo com o Relatório de Agentes de Futebol divulgado pela Fifa, as equipes do futebol profissional masculino desembolsaram US$ 1,37 bilhão (R$ 7,56 bilhões, na cotação atual) em taxas de serviço ligadas a transferências internacionais entre 1° de janeiro e 1º de dezembro.

O valor representa um crescimento de mais de 90% em comparação a 2024 e supera o

recorde anterior, registrado em 2023. A maior parte desse valor veio da Europa, especialmente dos clubes ingleses.

As equipes da Inglaterra lideraram os gastos globais, com um desembolso superior a US$ 375 milhões apenas em taxas para agentes. Na sequência aparecem os alemães, que gastaram cerca de US$ 165 mi-lhões, confirmando o domínio das principais ligas europeias no mercado internacional.

O aumento dos valores acompanha também a elevação no número de transferências mediadas por agentes. Em 2025, intermediários estiveram em 3.010 transferências internacionais, um novo recorde, com crescimento de 38,1% em relação ao ano anterior. Já as negociações em que agentes atuaram diretamente em nome dos jogadores somaram 3.730 operações, 15,3% de todas as transferências realizadas no período.

No futebol feminino, o crescimento foi mais expressivo proporcionalmente. Foram mais de US$ 6,2 milhões com agentes, valor mais de 13 vezes superior ao de 2020 e mais que o dobro do total de 2024. Os números refletem a expansão do mercado e a maior profissionalização das negociações.

O relatório também aponta um aumento significativo no número de profissionais habilitados. O exame de agentes da Fifa, realizado de forma totalmente online, registrou 16.117 inscrições, o maior número da história. Reino Unido, França, Estados Unidos, Espanha e Brasil lideraram a lista de candidatos, e atualmente mais de 10,5 mil agentes estão licenciados pela entidade.

Reportagem e texto de FOLHA DE SÃO PAULO.
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Este informativo tem por finalidade veicular informações jurídicas relevantes aos nossos clientes, não se constituindo em parecer ou aconselhamento jurídico, e não acarretando qualquer responsabilidade a este escritório. É imprescindível que casos concretos sejam objeto de análise específica.

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