A Federação Turca de Futebol (“TFF”) anunciou, em 31 de outubro de 2025, a suspensão de 149 árbitros e assistentes por suposto envolvimento em atividades de apostas esportivas, em investigação conduzida pela própria entidade com o apoio das autoridades turcas de integridade esportiva.
Segundo comunicado oficial, foram identificadas irregularidades em apostas realizadas por profissionais da arbitragem, contrariando os regulamentos nacionais e internacionais de ética e integridade esportiva. A investigação envolveu 571 árbitros em atividade, dos quais 371 possuíam contas em plataformas de apostas e 152 realizavam apostas ativamente, incluindo 22 árbitros da primeira divisão (7 principais e 15 assistentes).
As sanções disciplinares aplicadas variam de 8 a 12 meses de suspensão, e há possibilidade de punições adicionais conforme o avanço das investigações conduzidas pelo Ministério Público de Istambul.
A auditoria interna e o cruzamento de dados financeiros apontaram práticas incompatíveis com o exercício da função de árbitro, tais como:
- Criação de contas pessoais em plataformas de apostas esportivas;
- Participação em apostas envolvendo competições sob jurisdição da TFF;
- Omissão de informações financeiras em declarações obrigatórias de integridade;
- Falhas de transparência e ausência de controles internos eficazes na arbitragem; e
- Suspeita de manipulação indireta de resultados por meio de apostas de terceiros.
Essas condutas violam tanto o Regulamento Disciplinar da TFF quanto ao Código de Ética da FIFA e o Regulamento de Integridade da UEFA, que proíbem expressamente que árbitros, dirigentes ou atletas mantenham qualquer envolvimento com apostas em competições de futebol.
Caso sejam confirmadas as irregularidades, a TFF poderá sofrer sanções da UEFA e da FIFA, incluindo:
- Restrição temporária de participação em comissões internacionais de arbitragem;
- Revisão da credencial de árbitros para torneios internacionais;
- Suspensão de apoio técnico e financeiro destinado à formação e reciclagem de árbitros; e
- Perda de reputação institucional e redução de credibilidade perante parceiros e patrocinadores.
Além disso, a credibilidade do Campeonato Turco e de suas divisões inferiores poderá ser afetada, levando à necessidade de reavaliação de partidas e possíveis contestações de resultados, o que representaria grave risco à integridade esportiva do país.
Casos semelhantes já ocorreram em outros países e servem de referência para a gravidade da situação. Na Itália, por exemplo, o “Calcioscommesse” (2011-2012) resultou em punições severas, incluindo suspensões longas de jogadores e dirigentes, perda de pontos para diversos clubes e prisões de envolvidos em esquemas de manipulação de resultados.
A FIFA e a UEFA vêm reforçando programas de “compliance esportivo” e rastreamento de apostas ilegais com o objetivo de preservar a imparcialidade das competições e a confiança pública no esporte.
O escândalo evidencia a importância de mecanismos de governança, controle financeiro e programas de integridade dentro das federações esportivas. A Federação Turca de Futebol, ao agir de forma preventiva e cooperar com as autoridades, busca restabelecer a transparência do sistema arbitral. Contudo, o impacto reputacional é inevitável e poderá exigir reformas estruturais na formação e supervisão dos árbitros.
O CCLA Advogados está à disposição para esclarecer dúvidas referentes a este informativo e a qualquer assunto relacionado a normas e regulamentos esportivos, nacionais e internacionais.
Este informativo tem por finalidade veicular informações jurídicas relevantes aos nossos clientes, não se constituindo em parecer ou aconselhamento jurídico, e não acarretando qualquer responsabilidade a este escritório. É imprescindível que casos concretos sejam objeto de análise específica.
Beatriz Araujo Salazar – Advogada do CCLA Advogados.